A fabricação de um livro
Rosângela Trajano
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Este texto tem o seu direito autoral garantido pela autora,
podendo ser reproduzido para uso didático.
Um dia o editor abriu as portas da sua editora e tomou um susto! Havia muitas palavras na sua porta, palavras pequenas e grandes. Vou dizer algumas delas: árvore, montanha, sol, mar, amor, florestas, escola, vovó, brincar, ler...enfim eram muitas palavras.
O editor ficou preocupado com aquela quantidade de palavras. Perguntou o que elas queriam. As palavras disseram que queriam ser um livro. O editor disse para elas que ele não escreve livros, ele só edita o livro depois de escrito pelo autor.
Então as palavras perguntaram quem era esse tal de autor. O editor imediatamente chamou um homenzinho sorridente que usava óculos e tinha uma caneta nas mãos. O autor disse às palavras que ele podia colocá-las num livro. Não todas, mas algumas. E depois de muito conversarem ficou decidido quais palavras entrariam no livro daquele autor.
E as palavras foram se alojando na mente do autor devagar. Cada uma no seu devido lugar.
O autor arrumou as palavras no livro com zelo e carinho: colocou a pontuação, a acentuação e revisou tudo o que escreveu. Era hora de digitar as palavras escritas de caneta. Quando o livro ficou pronto o autor imprimiu uma cópia e mandou para a Biblioteca Nacional, pois é lá o lugar onde o livro ganha um registro igual ao nosso registro de nascimento. A diferença é que no registro de nascimento tem o nome dos pais e no do livro tem o nome do autor que nada mais é do que o pai ou a mãe do livro. E no caso do livro pode ter um ou mais pais e mães.
Sobre o registro do nascimento ainda tem uma coisa mais importante: o autor pode usar um pseudônimo, ou seja, um nome inventado. Às vezes o autor não quer que as pessoas saibam seu nome verdadeiro. Muitos autores têm pseudônimos, eis um bom trabalho para vocês fazerem depois.
Após registrar seu livro o autor ficou seguro de que ninguém mais poderia tomá-lo dele. Quando não se registra um livro corre-se o risco de muitas pessoas quererem ficar com ele. O autor mandou o livro num CD para o editor.
O editor recebeu o livro e ficou todo contente! Que maravilha! Ele soube mesmo brincar com as palavras! É uma história tão bonita! Pensou o editor.
Ao chegar à editora o livro foi direto para a revisão. O revisor verificou se havia erros de português e qual o gênero do livro. Gênero significa a categoria que o livro vai ser identificado: poesia, prosa, conto, romance etc.
Daí o editor mandou fazer a ficha catalográfica do livro. É uma ficha que informa ao leitor o título do livro, o nome do autor, a cidade onde ele foi publicado e o ano da sua publicação. Tem algumas fichas que trazem mais informações. Em Natal, nós podemos fazer isso na Biblioteca Câmara Cascudo.
O editor mandou fazer uma capa bem bonita para o livro e ele foi para a área da computação gráfica. Lá têm profissionais cheios de idéias! O ilustrador leu o livro e fez as ilustrações, essas figurinhas que vocês vêem nos livros, de acordo com o que estava escrito.
Depois o editor mandou diagramar o livro, ou seja, um profissional especialista colocaria o melhor tipo de letra, chamada de fonte, escolheria onde ficariam as imagens, colocaria o número de páginas e tudo o mais que um livro precisa.
Após, diagramado o livro foi para uma segunda revisão. Concluída a sua revisão ele seguiu para aprovação do seu autor. E bem que o autor ficou feliz ao ver seu livro quase pronto! As palavras piscaram os olhinhos para o autor como sinal de alegria. Elas pareciam pular e dançar nas páginas. Faltava pouco para elas viajarem pelo mundo.
Agora o livro ia para a gráfica. Nas oficinas da gráfica há muitas máquinas. Dependendo do número de páginas, do tipo de papel do miolo do livro, da capa e da quantidade de cores um livro pode dá muito trabalho para ficar pronto; principalmente se ele tiver além da capa, informações na contra-capa, as orelhas e o miolo que é o lugar onde a história é contada.
Na gráfica, o livro começou a ser impresso numa máquina. Depois de impresso, foi para o setor de confecção que é o local responsável pela ordenação das páginas e colocação da capa para depois grampear ou colar. Dependendo do número de páginas o livro pode ser grampeado ou colado. O nosso foi grampeado.
Com o livro pronto. O editor manda para as livrarias. E as livrarias encarregam-se de apresentá-lo ao público.
Hoje as livrarias estão cheias de livros belos à espera da nossa leitura. Vamos ler!
Rosângela Trajano é licenciada em filosofia e mestra em estudos da linguagem.




