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O menino oco
 
Era uma vez um menino oco.
Oco andava pelas ruas atrás de si.
Cansaço não tinha.
Lágrimas não conhecia.
Sentimentos nunca.
Sem coração, fígado, rim, pulmões...sem nada. Simplesmente oco!
Se tinha nariz, tinha olhos, tinha cabelos, tinha orelhas? Sim, tinha! Sim, tinha umbigo também!
De nada adiantava, era oco!
Mas era oco? Mas era oco?
Sim, oco! Oco!
E oco não sabia saber.
Sem miolos na cabeça como aprender?
Nem escola, nem amigos, nem bola, nem ninguém.
Se ia ser, não sabia, se já era quem nele havia?
Vivo no mundo vivia num mundo cheio de coisas!
Oco não sabia pra que servia um balde.
Oco não conhecia as flores, as estrelas, as cores.
Que coisa estranha! Um menino oco!
Mas mexia os braços e as pernas só não sabia para onde ir ou o que fazer.
Era oco, o coitado!
Um dia, encheram o menino de areia e ele ficou pesado por demais.
Virou encosto de porta. Só isso e mais nada.