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A filosofia para todos numa nova educação

Da educação de Platão à educação contemporânea

    * Rosângela Trajano da Silva

  “Uma vida sem exame não é digna de ser vivida por um ser humano.”

Sócrates (Apologia 38a)

Este trabalho é dedicado às crianças da minha rua.

 

A filosofia não é para todos?

A filosofia já nasceu soberana com as suas indagações científicas. E esta soberania da filosofia fez dela uma disciplina para poucos até hoje. No Banquete, um dos mais belos diálogos de Sócrates ele conversa com amigos sobre o amor, aliás, em todos os seus diálogos Sócrates está sempre conversando com amigos. O que temos de mais belo neste filósofo que só conhecemos através do seu discípulo Platão é a sua modéstia quando nos diz que nada sabe. E por não saber ou fingir não saber determinadas coisas que lhe questionavam, Sócrates acabou se tornando conhecido e admirado entre os homens da sua época dando a sua vida por amor a sabedoria. Sócrates ensinava filosofia aos adolescentes nas praças públicas[1] e afirmava em sua paixão maior, ter um bom amigo, está com ele desde a infância. Enquanto Sócrates ensinava a filosofia por amor, os sofistas ensinavam-na através de aulas remuneradas, como nos afirma Platão e Xenofonte que radicalizaram a batalha ideológica contra os sofistas[2] tomando-os como negativos à filosofia.

REALE (1993) nos traz as palavras de Platão sobre os sofistas no seguinte diálogo:

Em primeiro lugar, o sofista era um caçador remunerado de jovens ricos[...] em segundo lugar, uma espécie de importador de conhecimentos que interessam à alma [...] e em terceiro lugar, não se nos mostrou como um biscateiro destas mesmas coisas? [...] e em quarto lugar, um mercador dos próprios produtos científicos [...] e em quinto era uma espécie de atleta da agonística aplicada aos discursos, como quem tivesse reservado para si a arte de disputar [...] depois, em sexto lugar, era algo de controvertido; todavia convimos admitir que ele seja uma espécie de purificador espiritual das opiniões que impedem a alma de saber.[3]

Aos poucos os sofistas foram desaparecendo, não se sabe se porque Sócrates tornou a filosofia acessível a qualquer homem que quisesse com ele participar de um diálogo ou ouvi-lo em praça pública, como já dissemos, ou se as palavras de Platão acabaram afastando os jovens dos sofistas ou se os sofistas se intimidaram com o saber de Sócrates. O que se sabe é que Sócrates fez da filosofia um diálogo em busca do saber, ora com jovens nas praças públicas ora com amigos em suas casas; como nos registrou Platão em seus diversos diálogos onde encontramos Sócrates como personagem que conduz os diálogos, questiona e nos intriga. Mas as questões que Sócrates levantava eram tão complexas que deixava qualquer um sem argumentos como nos relata Kohan (2000) sobre o encontro entre Sócrates e Eutífron, especialista em questões religiosas, que ao encontrar-se por acaso com Sócrates é questionado sobre o que é o Sagrado? Começa-se o diálogo, mas suas respostas não satisfazem a Sócrates. Ao final do diálogo, Eutífron sai correndo ante sua própria impotência de responder às perguntas socráticas.[4]

As questões levantadas pela filosofia são tão complexas que poucos têm coragem para investigá-las. A linguagem dos textos filosóficos é cheia de palavras de difícil compreensão e muitas vezes uma só palavra toma vários conceitos. Não é a toa que encontramos nas bibliotecas e nas estantes das livrarias dezenas de dicionários de filosofia, e devido o pensamento de alguns filósofos as editoras decidiram criar dicionários em separado para aqueles de difícil compreensão tais como: Aristóteles, Kant, Descartes, etc. Só para exemplificar podemos encontrar vários conceitos para a palavra pensamento, isso porque cada filósofo via o pensamento de uma forma diferente e às vezes um queria refutar o que disse o outro.

Interpretar um texto filosófico é tão difícil quanto desejar falar outro idioma sem nunca ter freqüentado uma escola apropriada. E olhem que não estou exagerando. Lembro de uma aula na academia onde o professor insistia em fazer-nos compreender o que quis dizer Descartes na sua meditação terceira e, talvez, por cansaço nosso ou do professor no final da quinta aula concordamos que tínhamos compreendido. O que ocorreu com esse nosso dizer falso foi uma quarta avaliação para metade da turma, uma reprovação para outros e aqueles que conseguiram ser aprovados mereceram os parabéns.

O que estamos tentando dizer nas nossas palavras é que a filosofia nasceu tão dona de si que assustou o homem simples. Ora, até o próprio Platão na sua alegoria da caverna afirmou que só os filósofos conseguiriam chegar ao ápice do conhecimento.[5] E que para se tornar filósofo o homem deveria ser educado através da ginástica e da música conforme está escrito na sua Republica, Livro II. Platão preocupou-se com a educação dos jovens, porque queria formar um exército de heróis, ou seja, de homens sem vícios cheios de virtudes praticantes da justiça. Os heróis de Platão estavam lá, nas cavernas, o tempo todo. Só um deles conseguiu o feitio de chegar ao conhecimento, conforme podemos ler na República, Livro VII. Mas, na alegoria Platão não nos explica como esse tal homem conseguiu libertar-se das correntes que o prendia aos outros. Acreditamos que o homem que conseguiu se libertar utilizou-se da sua curiosidade e não temeu o peso nem os inúmeros cadeados que prendiam as correntes ao seu corpo, mas que para conseguir tal liberdade este mesmo homem necessitou de uma ajuda externa. A curiosidade desse homem foi tamanha que ele de tanto mexer as correntes acabou por rompê-las? Brilhante? Sim, se considerarmos que todos os homens não filósofos estão aprisionados as correntes da ignorância e se não tiverem a curiosidade aguçada jamais poderão se libertar. Nossa observação: Ninguém consegue se libertar sozinho. Nossa questão: É possível ser libertado por alguém? Nossa resposta: Sim. Para isso estão aí os nossos professores de filosofia cheios de vontade de libertarmo-nos das correntes da ignorância.

O problema é que a filosofia chegou às academias e lá ficou. Nas salas de aula de uma academia se discutem questões belíssimas sobre o homem e as coisas ao seu redor. Outro dia alguém me questionou o que significava a palavra metafísica, e olhem que este alguém já concluiu um curso universitário. Mas chegar as academias foi um grande passo para a filosofia porque as suas questões começaram a desenvolver e auxiliar novas ciências. O objetivo da filosofia nas academias continua o mesmo: desenvolver o pensamento crítico e investigativo. Ocorre que, os estudantes chegam às universidades com o pensamento preguiçoso, vício herdado dos outros estágios da vida escolar. É uma vergonha perceber a dificuldade que um aluno tem para elaborar uma pergunta, isso quando consegue. A maioria dos alunos que está nas universidades foi durante toda a vida depósito de conhecimento e suas perguntas foram castradas pelos pais e professores que não queriam se aborrecer com perguntas banais. Ora o que pode ser banal para nós talvez não seja para outros, mas isso poucos conseguem compreender. Sem contar com a discriminação que corre nos corredores das academias sobre quem faz filosofia: “isso é coisa pra louco.”, é o que dizem. Quer queira quer não os estudantes universitários necessitam repensar o seu pensar na disciplina de filosofia, ou até mesmo reconstruir esse pensar. De repente, questões que pareciam pura bobagem vão tomando forma, se preenchendo e acabam explodindo como uma grande admiração, ou seja, espanto. 

Acontece, porém, que a filosofia ao chegar nas universidades começou a levantar questões sobre o nosso cotidiano, principalmente no que diz respeito às questões da ética, da estética, da epistemologia e da lógica. Percebendo a dificuldade dos alunos para com a disciplina de filosofia nas universidades as autoridades da educação de alguns países perceberam a sua importância para o ensino médio, e elaboraram normas e regulamentos para se introduzir a filosofia neste estágio da educação. As autoridades da educação pensam que levando a filosofia para o ensino médio podem contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico e investigativo dos adolescentes, ocorre que o problema se forma desde as séries iniciais quando as crianças perdem o desejo de investigação das coisas devido a um ensino que não está comprometido com a prática de uma educação para o pensar.

O grande problema que percebemos é que a filosofia é vista como uma disciplina e como nos postula FÁVERO:

Daí os preconceitos, as pré-noções com relação a ela. No entanto, se ela for adequadamente abordada, não simplesmente como uma disciplina, mas como uma perspectiva transdisciplinar e interdisciplinar, então teremos a oportunidade de visualizar um novo tempo no que se refere à educação.[6]

Tem gente que fala “a minha filosofia de vida é assim...” ou “a filosofia do nosso time a partir de hoje vai ser esta.” As pessoas confundem o simples termo filosofia com a filosofia em si, na sua essência mais pura, digna de levantar as mais diversas questões sobre o homem, a realidade, o universo. Acreditamos que elas até gostariam realmente de saber o que é a filosofia, pois se não o quisessem não fariam uso de algo que nem conhecem. Ah! Se a filosofia continuasse a ser ensinada nas praças públicas! Muitas pessoas pensariam e agiriam diferentes, pois só o conhecimento modifica a essência humana. Se as máximas da filosofia fossem popularizadas e os homens preparados para interpretá-las poderíamos construir um mundo melhor. Contudo, percebemos que o homem se quando criança ou jovem não foi incentivado a pensar não se dará a esse trabalho quando adulto tendo em vista que os meios de acesso ao conhecimento estão cada vez mais próximos dele.

Eis o mundo moderno em que vivemos, o mundo da tecnologia onde cientistas são capazes de afirmar que as máquinas têm menos preguiça de pensar do que o homem. Não é a toa que estamos sendo trocados pelas máquinas. Eis uma indagação para a nossa reflexão: - Será que estamos sendo trocados porque estamos com preguiça de pensar?

Voltando ao nosso ensino da filosofia acreditamos que é um direito do homem e um dever do estado oferecer o ensino da filosofia a todas as pessoas. Pois sem a filosofia não existiriam as outras ciências e para que continuem a existir com a eficiência que têm faz-se necessário formar homens curiosos e isso só a filosofia é capaz de realizar.

GAARDER acha que as pessoas estão no fundo do pêlo do coelho e tenta evitar que as crianças saiam do seu lugar privilegiado que é na ponta dos pêlos do coelho, como demonstra no seu livro O Mundo de Sofia, tomando Sofia como a representação de todas as crianças. Para o autor citado, todos deveriam permanecer na ponta dos pêlos do coelho. Assim como GAARDER nós também estamos preocupados em levar a filosofia às nossas crianças. Transcrevemos abaixo as palavras de GAARDER onde ele demonstra como se comportam os adultos, os filósofos e as crianças:

[...] um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos do coelho. Por isso elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos finos pêlos, lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência. Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros se agarram com força aos pêlos do coelho e berram para as pessoas que estão lá embaixo, no conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida[...][7]

Da mesma forma que GAARDER faz com Sofia iremos fazer com as nossas crianças convidando-as a participar de uma educação para o pensar, onde elas serão encorajadas a continuar na ponta dos finos pêlos dos coelhos por toda a vida. 

A educação de Platão

Diz Sócrates a Adimanto:

“Sabes que o princípio é sempre mais importante em tudo, principalmente com referência à juventude, que é a época em que se amolda e se plasma o caráter à vontade de quem o modela.”[8]

Sócrates expressa a consumação dos ideais de uma educação formadora, fabricadora, aquela que assume que vai plasmar certos modelos nos outros, para garantir que esses outros sejam o que se quer fazer deles. Por isso, considera Platão, deve-se cuidar de todos os detalhes da educação das crianças.  Elas são tão importantes, não pelo que são, mas pelo que podem ser. A educação deve garantir, nesse paradigma, que elas possam ser os adultos que queremos que sejam.

A educação através da música

Sócrates interroga Adimanto se há outra forma melhor que a que de longa data, se acha em uso sobre a educação dos guerreiros e que consiste em formar o corpo pela ginástica e a alma pela música.[9] Adiante Sócrates expõe seu pensamento sobre estas duas metodologias e questiona que o melhor seria começar a educação dos jovens guerreiros pela música, tendo em vista que farão uso dos discursos e que na música podemos encontrar dois tipos de discursos: os verdadeiros e os falsos. E estes discursos podem contribuir para a educação, a começar pelos falsos.

Quando Platão se refere aos discursos falsos ele nos lembra das fábulas e das poesias que nos primeiros anos de vida contamos às crianças. São falsas em geral repletas de mentira mas também encerram verdades. A preocupação de Platão para com as fábulas é quanto a formação do espírito das crianças, é preciso saber que tipo de fábula não irá colorir a mentira no espírito das crianças. Platão demonstra seu cuidado para com as fábulas quando nos diz:

Importa-nos, pois, segundo eu penso, velar sobre os que elaboram fábulas, separando as boas das más, para rejeitar estas e acolher aquelas. Ordenaremos às mães e às amas que narrem às crianças fábulas escolhidas e que empreguem mais zelo em lhes formar a alma que em formar o corpo. Neste afã cumpre condenar a mor parte das fábulas que hoje em dia lhes são contadas.[10]

Segundo Jaeger “é certo que as histórias que contamos às crianças não são, no seu conjunto, verdadeiras; mas encerram pelo menos uma parte de verdade.”[11] É esta parte verdadeira que Platão quer deixar na alma das crianças. O que lhes for contado nesta idade será levado para a vida inteira, e para Platão as crianças não deveriam guardar nas suas almas temores a coisas que não existem, conforme contam certas fábulas.

Crítica à poesia de Homero

Assim Platão nos fala das fábulas grandes que foram compostas por Hesíodo e Homero, dizendo-nos que não passam de fábulas tolas, sem outro fim que o de divertir os homens em todos os tempos. Aqui entramos na crítica que Platão fez aos poetas Hesíodo e Homero censurando suas poesias, condenando a falsidade que há nelas. Platão diz que os escritos desses poetas não representam os deuses e os homens tais como são. A falsidade e a forma leviana de que são contadas estas fábulas às crianças desprovidas de razão, é a sua maior preocupação. E concluindo sua crítica aos poetas ele nos diz que são narrativas evidentemente perigosas. Platão temia que as crianças ouvissem aquelas narrativas onde falavam de deuses que guerreiam entre si, que se combatem uns aos outros, coisa que não era verdade. Muito menos os combates dos deuses imaginados por Homero com a sua alegoria. De tudo isso Platão conclui “eis por que parece da maior importância que as primeiras fábulas ouvidas pelas crianças sejam de molde a conduzi-las à virtude.”[12]

Nos seus poemas Homero nos fazia temer os deuses com os seus castigos sobre aqueles que não lhes obedeciam e fazia-nos temer, também, a Deus, quando dizia que Ele faz o mal. Quando para Platão Deus não era o criador de todas as coisas, mas só do bem, ou seja, Deus deveria ser representado tal qual ele é. Platão repugnava aquele tipo de poema que plantava na alma do homem a mentira e não desejava que as crianças fossem educadas ouvindo aquelas narrativas fictícias. E eis o que Platão nos falou sobre este tipo de poema

Quando um poeta assim aludir aos deuses, repilamo-lo indignados, não lhe consintamos que faça representar sua obra nem deixemos que os mestres dela se sirvam para a formação da mocidade, se queremos que os guardiões do Estado sejam varões religiosos e parecidos aos deuses quanto o comporta a debilidade humana.[13]

Jaeger concorda com Platão quando nos diz "diante do olhar do leitor atual de Homero ou de Hesíodo aparecem imediatamente numerosas cenas que ele não julgaria diferentemente de Platão, se as medisse pela tabela do seu próprio sentimento moral."[14]

E concordando com a violência que há nos poemas de Homero e Hesíodo capazes de amedrontar e colaborar para a má formação da alma da criança Jaeger nos diz “também não incluiríamos num livro de contos infantis a lenda de Cronos devorando os filhos.” ·

Para Platão a poesia como era escrita transmitia um perigo às crianças que as ouviam. Os poetas costumavam se inspirar nos deuses e na morte, seus versos eram banhados por sangue de inocentes e transmitiam medo aqueles que desobedecessem os deuses, havia muita guerra, muita violência, e alguns versos se misturavam com a alma e o inferno. Eis que Platão temia que estas fábulas roubassem a confiança dos guerreiros, principalmente as que falavam do inferno. Platão decidiu expungir dos textos homéricos as passagens deste teor. Platão pretendia conquistar com isso a segurança de que as crianças teriam uma educação baseada na verdade, pois seriam elas, mais tarde, as guardiães do Estado e não seria justo nem bom um Estado com guardiães cheios de medo vítimas das mentiras que lhes foram atribuídas quando na infância, de uma educação sem vigília. Se Platão queria com a música atingir a alma das crianças logo podia-se perceber que nessa alma ele só desejava plantar coisas boas e verdadeiras, eis porque se preocupou tanto com o efeito drástico que as poesias de Homero e de outros poetas pudessem causar nas crianças. E com esta preocupação Platão nos deixa o seguinte:

Suplicaremos a Homero e a outros poetas não nos levem a mal que eliminemos estas passagens e as outras semelhantes. Não que lhes faleça poesia ou sejam desagradáveis aos ouvidos das gentes: porém, quanto mais belas, mais perigosas de ouvir em qualquer idade pelos que, destinados a ser livres, devem temer mais a escravidão do que a própria morte.[15]

As passagens que Platão se refere mostram uma alma desprovida de coragem e vulnerável ao mal, capaz de se deixar abraçar pelo medo e pela compaixão. Uma das passagens que exemplifica o que dissemos acima é a seguinte: “Sua alma, evolando-se do corpo, mergulhou nos infernos pesarosos do destino, chorando a força e a mocidade perdidas.”[16] Platão não admitia que os poetas falassem coisas falsas dos deuses o que era de costume ver nas poesias. Na maior parte dos versos os deuses se colocavam sempre como temíveis, superiores a tudo, criaturas capazes de fazer coisas horripilantes, de se disfarçar e sair assustando as pessoas de cidade em cidade, blasfemando e atemorizando a todos. Eis o que podemos encontrar em tais poesias.

Platão temia que estas mentiras se alojassem na alma das crianças tornando-as ignorantes e frágeis perantes tais palavras que lhes oferecessem. Melhor dizendo que as crianças acreditassem que os deuses eram capazes de fazer todas aquelas coisas que estavam escritas nas poesias. Quanto a isso Platão na voz de Sócrates interroga Adimanto “aprovas então esta segunda lei que nos impede, nos discursos ordinários e nas composições poéticas, de apresentar os deuses como feiticeiros que assumam diferentes formas e nos iludem por palavras e obras?”[17] Continuando o diálogo Adimanto aprova o que interroga Sócrates.

Mas como o próprio Platão admira muito do que escreveu Homero acreditamos que a sua crítica recai tão-somente na forma como os versos são apresentados, cheios de heroísmo, guerras, sangue, batalhas, deuses castigando e blasfemando, contudo a ficção da poesia de Homero e de tantos outros têm um valor belíssimo à literatura tendo em vista que apresenta heróis com forças e poderes que os homens gostariam de ter, felicitando a imaginação dos mesmos. É certo que os homens devem saber que todos esses mistérios que envolvem os heróis não passam de ficção, mas não podemos deixar de expor aqui o quanto eles distraem e animam a imaginação dos homens que muitas vezes desejariam ser um deles para poder conquistar um desejo real que sem tais poderes lhes é impossível. Talvez necessitemos destes heróis à nossa imaginação. Não nos referimos dos deuses que castigam e fazem mal, mas dos heróis como Aquiles capaz de vencer qualquer batalha e guerrear com a bravura de mil soldados, lutar para ter seu nome escrito na história por todos os tempos. Sim, talvez seja isso que Platão louve na poesia de Homero e que nós acreditamos ser de grande importância aos homens de todas as idades. Estes heróis nos alerta para que não desistamos nas primeiras dificuldades, no primeiro tombo, que lutemos até o fim.

A censura de Platão quanto as poesias de Homero e Hesíodo têm uma explicação maior no livro terceiro da República quando ele nos fala sobre o futuro das crianças que “deverão honrar os deuses e os pais e dar o devido apreço à amizade e à concórdia entre os cidadãos.”[18]

Platão criticou também a fraqueza de alguns heróis que aparecem nas poesias sofrendo e chorando, como exemplo Aquiles e Príamo. Os guardiães do Estado de Platão não deveriam passar por tal situação, uma vez que não precisavam de ninguém não deveriam chorar a morte de um amigo ou parente. Platão diz que irá pedir a Homero e aos outros poetas que retirem estas partes das poesias. Ora, o que compreendemos aqui é que Platão não concorda que um herói tão próximo dos deuses se debata com a morte de um simples mortal, o que para ele pareceria uma demonstração de fraqueza da alma. Este tipo de sofrimento Platão entrega às mulheres frágeis e aos efeminados, protegendo os guardiães dos mesmos. O que compreendemos quando Platão quer evitar este sofrimento nos guardiães é que quando temos a nós mesmos não precisamos de mais ninguém, e se nos achamos completos e felizes somente com nós mesmos porque permitiríamos nos angustiar por outrem se tudo o que necessitamos podemos encontrar em nós mesmos? E Platão segue sua crítica com base nas seguintes palavras:

Se efetivamente, meu caro Adimanto, nossos jovens tomarem a sério tais narrativas em vez de se rirem delas como fraquezas indignas dos deuses, dificilmente as suporão indignas de si mesmos, já que são meros homens; nem nunca se reprovarão a si mesmos se lhes acudir a idéia de dizer ou praticar coisas semelhantes. Ao menor sopro da desgraça entregar-se-ão, sem reação nem pejo, aos gemidos e ao choro.[19]

Quando o poeta eleva seu herói aos atos de grandeza da alma, Platão concorda que devemos escutá-lo e admirá-lo. O que percebemos neste ponto é que Platão desejava que a alma dos homens fosse forte, capaz de enfrentar todas as dores que lhes fosse atribuída, todos os tormentos e sofrimentos. Que não se deixasse abalar por nada, nunca perdendo a coragem e a esperança.

No livro décimo da República Platão diz que esse tipo de poesia é veneno para os que o ouvem, se não estiverem munidos de seu antídoto, que consiste em saber dar o justo valor a tais coisas. Platão reconhece o respeito que tem para com Homero, mas reconhece também que seu respeito a verdade é maior e diz que quem compõe tragédias na sua qualidade de imitador, está três graus afastado do rei e da verdade. Sim, para Platão Homero não passa de um imitador nas suas poesias. E como imitador distante está da verdade, porquanto eis o que Platão repugna no poeta uma vez que para ele toda educação do homem deve está voltada à verdade quando Homero educava em suas tragédias de forma diferente.

Esta educação que Platão queria para a formação dos guardiães através da música que segundo Jaeger “no sentido lato da palavra grega esta não abrange apenas o que se refere ao tom e ao ritmo, mas também – e até em primeiro lugar, segundo o acento platônico – a palavra falada, o logos.”[20]como vimos seria preciso que os poetas reescrevessem as suas poesias e retirassem delas toda a falsidade dos seus versos, ou quem sabe melhor fosse escrevessem novas tragédias voltadas aquilo que Platão buscava como excelente meio de educação: poesias que dissessem a verdade e dessem à alma toda a fortaleza necessária, que todos os heróis e deuses fossem apresentados assim como nos mostra a realidade.

Uma nova educação contemporânea às crianças

A educação contemporânea trouxe, também, para as salas de aula as fábulas, os contos de fadas, as poesias e as histórias infantis. Não nos parece que haja um cuidado como desejava Platão quanto a negação da falsidade na educação das crianças. O que percebemos são professores do ensino fundamental contando as histórias da mitologia grega às crianças sem se preocuparem com o que está sendo guardado dentro da alma de cada uma delas. A intenção da educação contemporânea é formar cidadãos criativos, capazes de entrar no mercado de trabalho e de agir na sociedade conforme determinam as leis.

Até aí tudo bem. Mas quando se trata de pensar, os nossos jovens parecem não saber como fazer. Preocupados com o pensamento crítico e investigativo dos jovens um grupo de professores criou um programa de aulas que ensina filosofia às crianças através de textos selecionados e escritos observando este fim. Em Sharp (1997) podemos obter resposta para esta preocupação quando ela nos diz “precisa-se saber pensar e saber pensar bem”.

Continuando em Sharp (1997) “palavras como amigo, amor, liberdade, são centrais para o modo como uma criança constrói e percebe seu mundo. Se uma criança não sabe que essas palavras são controversas e que existem muitas maneiras de compreendê-las, corre o risco de ser transformada num depósito de significados prontos e estanques.”

Adaptando textos filosóficos como auxílio na educação para o pensar das crianças

A maioria dos professores de filosofia envolvidos com a educação para o pensar das crianças está trabalhando com textos elaborados através de adaptações dos mitos de Platão ou da mitologia grega e, também, com indagações feitas pelos filósofos e transformadas em histórias infantis com o objetivo de levar às crianças um alvo às suas curiosidades, para que não se tornem crianças sem perguntas. Poder mostrar às crianças que as suas perguntas, os seus porquês e as suas admirações diante das pessoas e das coisas que as cercam é uma das coisas mais belas que podem oferecer ao espírito é tarefa de todos nós envolvidos nesta nova educação.

O importante nesta nova educação é que ela visa o mesmo princípio de Platão: as histórias são selecionadas, trabalhadas cuidadosamente para só depois ir à sala de aula. Aqui, a história geralmente começa com um mito e sempre encerra uma verdade.

Lipman foi o primeiro educador a se preocupar com este novo tipo de educação, e para melhor educar as crianças num novo pensar, escreveu novelas que explicam seu pensamento com contextos adequados as idades que deseja abordar. Para Lipman este laço da filosofia com a literatura é estreito e significante como explica em suas palavras:

O vínculo comum entre filosofia e a criação literária é que ambas são buscas de significado. Tanto o filósofo quanto o escritor são fascinados pela linguagem e preocupados com seu uso preciso. Ambos podem estar interessados nas mesmas questões[...][21]

Eis que com as suas novelas Lipman conseguiu difundir sua metodologia de ensino e incentivou a criação da disciplina de filosofia no currículo das séries iniciais nos Estados Unidos. Justificando a necessidade que as crianças têm da filosofia eis o que nos postula Lipman: "As crianças querem saber, elas são curiosas. Elas têm um desejo insaciável por razões. Quando fazem perguntas do tipo 'como pode isso?', é como se quisessem alguém para justificar o mundo para elas."[22]

O professor Sérgio A. Sardi, um dos maiores defensores da filosofia com crianças no Brasil, nos presenteou uma história infantil intitulada “A pergunta de Ula” ·, uma menina chamada Ula que se pergunta e pergunta aos seus amigos quem ela é e quem eles são, respectivamente. Uma das passagens do livro que mais marcam a curiosidade de Ula é a seguinte: “.Não! Eu não quero dizer seu NOME, eu to perguntando quem é VOCÊ...VOCÊ MESMO...”[23]

A discussão filosófica abordada na história do professor Sardi nada mais é do que a questão que difundiu a filosofia no mundo inteiro, trata-se da seguinte questão “Quem sou eu?” Acreditamos que todos nós já fizemos esta pergunta uma vez na vida e quem ainda não a fez com certeza terá a sua oportunidade de fazer, eis uma questão filosófica tratada com muito carinho pelos filósofos, professores das academias e que pode ser levada às crianças de forma agradável, divertida e educativa. Ula é uma menina como qualquer outra que a qualquer momento pode despertar e se deparar com uma admiração. No mesmo volume Sardi discute, também, a questão da existência e o maravilhar-se de Ula ao descobrir que ela, as pessoas, e as coisas existem.[24] Ula consegue demonstrar seu espanto diante da sua existência com as seguintes palavras: “Que bom que eu existo...e estou vivendo...!”[25]

Na mesma linha de pensamento do professor Sardi, adotamos a experiência de adaptarmos os mitos de Platão, os ensaios de Montaigne ou questões da filosofia que intrigam os filósofos, às crianças. Assim, produzimos a nossa primeira edição do livro “Giges e o anel”[26] uma adaptação do personagem Giges, da República, Livro II, escrito por Platão. O livro aborda a questão do ser justo e do que pode ocorrer quando o bom homem se deixa levar pelo egoísmo e torna-se injusto para com os outros. Giges era um simples pastor admirado por todos pelo seu caráter de homem bom e justo, mas quando se depara com o poder de um anel mágico que pode fazer-lhe um homem rico, Giges esquece toda a bondade do seu coração e comete coisas injustas para conseguir o que deseja. No final do livro, Giges reconhece que a injustiça só lhe trouxe tristeza, a partir daquela descoberta e com a ajuda da sua filha o encanto se desfaz e tudo o que havia conquistado sendo injusto desaparece até mesmo a sua filha querida, que se transforma numa margarida, pois o fruto da injustiça deve ser destruído para se proclamar o bem.

O projeto Filosofia na rua para crianças através da literatura infantil[27] tem mantido seus encontros na maioria das vezes com textos adaptados do pensamento filosófico dos mais diversos filósofos conhecidos em toda a história da filosofia. Citemos o exemplo do ensaio “A força da imaginação”, do filósofo Montaigne, o que nós construímos foi uma história que resumidamente fala de um menino que imagina ter engolido uma espinha de peixe, e a crença na sua imaginação é tamanha que só diz não sentir mais nada furando a sua garganta ao ver uma espinha de peixe, enorme, no meio do seu vômito forçado; quando sua irmã mandou-o colocar o dedo lá no fundo da garganta e ele consegue vomitar, sem que ele veja a irmã joga uma espinha de peixe no chão e ajuda-o a livrar-se daquela imaginação perturbadora, para alívio de todos o menino ao ver a espinha no meio do vômito coloca a mão na garganta e diz: - “Olhem, como ela era grande! Já não sinto mais nada!”. A história é baseada numa passagem do ensaio onde Montaigne diz o seguinte:

Uma mulher, pensando ter engolido um alfinete com o pão, gritava e se atormentava como se sentisse uma dor insuportável na garganta onde imaginava se houvesse ele espetado. Como não havia nem inchaço nem qualquer outro sinal externo, uma pessoa sensata julgou se tratasse de um efeito da imaginação por se ter a mulher provavelmente arranhado com a casca do pão. Forçou-a a vomitar e, no que devolveu, jogou às escondidas, um alfinete retorcido. Imaginando a vítima fosse o alfinete engolido, passou-lhe de imediato a dor.[28]

O que o projeto buscou apresentar às crianças foi que através da imaginação podemos conseguir qualquer coisa, e também, podemos ver, ouvir e sentir coisas que só existem na nossa imaginação. O nosso maior objetivo com esta história foi explicar o poder da imaginação. Algumas crianças após a contação da história comentaram sobre coisas que imaginam e uma delas nos falou que imaginava que tinha um elefante bem grande que vinha todas as noites dormir na sua cama e a derrubava no chão.  Já um menino de cinco anos imagina que um dia os caranguejos vão se rebelar contra todo mundo e vão invadir as casas das pessoas e quebrar tudo porque as pessoas vivem fazendo isso com eles.[29]

As coisas que as crianças do projeto Filosofia na rua para crianças através da literatura infantil imaginam não são tão preocupantes, mas há coisas que as crianças imaginam que podem ser preocupantes sim, e muito. Eis porque nos preocupamos em apresentar as crianças o poder que a imaginação tem sobre nós e como podemos utilizá-la para o nosso próprio bem. A imaginação infantil é potentíssima como nos disse Kant[30], por isso devemos ensiná-las a como fazer bom uso da mesma. Às vezes os pais dizem coisas que pensam que não vão fazer mal aos seus filhos, só que há coisas que são ditas as crianças que elas vão carregar para o resto das suas vidas. Recordamo-nos de um adulto que até hoje acredita que se engolir uma semente de qualquer fruta, irá nascer uma árvore daquela fruta dentro dele, um outro que o seu pai costumava dizer que se ele continuasse a mentir seu nariz iria crescer como o do boneco Pinóquio, esse atribui o tamanho do seu nariz as mentiras que inventou quando criança e até hoje teme a mentira não por virtude, mas por medo de que seu nariz cresça cada vez mais. O que observamos é que se a imaginação for bem trabalhada poderá proporcionar coisas maravilhosas às crianças, mas se isso for ao contrário poderá acarretar problemas graves. Principalmente se analisarmos as palavras de Montaigne quando ele nos exemplifica o que a imaginação pode fazer com um homem:

Sei de um fidalgo que se vangloriou por brincadeira, três ou quatro dias após haver oferecido um alegre jantar, de ter dado gato em vez de lebre a seus convivas. Uma moça que estivera presente ficou tão horrorizada que veio a ter febre, e um tão grande desarranjo estomacal que não foi possível salvá-la.[31]

O projeto Filosofia na rua para crianças através da literatura infantil, também adaptou o mito de Narciso para crianças. No mito Narciso está caçando e descobre que alguém está o perseguindo, quando percebe que é a ninfa Eco Narciso lhe pergunta por que ela está o observando, mas ela é surda-muda só consegue se expressar através dos gestos. A ninfa diz a Narciso que está apaixonada por ele porque o achou muito bonito, mas ele não quer saber dela. Ele só quer saber de caçar, quer ser um grande caçador e não está nem aí para o amor de Eco. Até que Eco fica triste e morre, depois de morta se transforma numa pedra. Narciso continua a sua vida e um dia passeando pela floresta encontra um lago e quando ver o seu rosto refletido nas águas límpidas do lago logo se apaixona pelo mesmo, fica tão apaixonado pela sua imagem que pede a ela para namorar com ele. Se aborrece com a imagem por nada responder-lhe, apenas imitá-lo, e Narciso chega até a achar que a imagem da água está caçoando dele. Volta ao lago várias vezes, grita para a imagem do lago que está apaixonado por ela, chora, se desespera, mas nada. Tristonho Narciso abandona a caça, e se isola em sua casa. Não come, não bebe, e começa a morrer aos poucos. Só pensa na imagem do lago. Narciso acaba morrendo e depois de morto se transforma numa flor chamada Narciso.

Nesta história procuramos mostrar às crianças o quanto é importante nos amarmos, cuidarmos da nossa aparência e sabermos como somos e como agimos para com os outros. Exploramos o desprezo de Narciso em relação a Eco, e a questão do amor do outro e do amor a si mesmo. O objetivo da história era apresentar às crianças a importância de conhecer o mundo exterior e interior, além de respeitar estes dois mundos. Mas o diálogo foi levado para uma outra argumentação e entramos na questão do belo no amor. As crianças perguntaram se Eco era bonita, dissemos que não sabíamos, e perguntamos o que tinha aquilo a ver, algumas delas disseram que achavam que Narciso não quis namorar com Eco porque ela era feia. Então questionamos as crianças o que era para elas uma pessoa feia e uma bonita. As respostas foram as mais diversas possíveis: “feia é uma pessoa gorda”, “feia é uma pessoa que fuma”, “feia é uma pessoa que bate em crianças” quanto as pessoas bonitas elas responderam “bonita é uma pessoa que tem os olhos azuis”, “bonita é uma pessoa que é magra”, “bonita é uma pessoa que brinca com as crianças”, “bonita é uma pessoa que não chama palavrões”. Com base nestas informações pedimos às crianças para desenharem alguma coisa sobre a história. Grande parte dos desenhos mostra A flor de Narciso em cima da pedra de Eco.

Este capítulo tem o objetivo de apresentar que é possível ensinar filosofia às crianças sem a necessidade de muitos recursos e sim muita criatividade para fazer dos textos filosóficos histórias infantis engraçadas e educativas. Que o educador, ou seja, o responsável pelo encontro deve ser antes de tudo um bom orador, alguém que goste de dialogar e que saiba explorar cada questionamento surgido. É preciso estar atento porque há crianças que por timidez falam baixinho e outras que sequer falam, mas seus gestos anunciam que querem dizer alguma coisa.

A importância de se trabalhar com os mitos é de extrema relevância para uma educação para o pensar, tendo em vista que ela conduz ao diálogo e desperta o pensamento da criança para querer saber sempre mais sobre aquilo que está ouvindo. As crianças adoram a imortalidade dos deuses, os mistérios dos mitos, e se soubermos conduzir este gostar com uma pitada de curiosidade e espanto poderemos estar iniciando uma nova educação para o pensar, esta tão magnífica arte de repensar o pensado.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

FÁVERO. Um olhar sobre o ensino da filosofia.  Ijui: Unijui, 2002.

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

JAEGER, Werner. Paidéia. A formação do homem grego. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

KANT, Immanuel. Sobre a pedagogia. Piracicaba: Editora Unimep, 1996.

KOHAN, Walter Omar. Filosofia para crianças. Rio de Janeiro: De Paulo Editora Ltda, 2000.

LIPMAN, Mattew. A filosofia vai à escola. São Paulo: Summus, 1990.

LOBEL, Arnold. Frog and Toad Together. Nova Iorque: Harper & Row, 1972.

MONTAIGNE, Michel de. Ensaios. Porto Alegre: Editora Globo: 1972.

PLATÃO. A República. São Paulo: Hemus, 1970.

___________. Lísis. Brasília: UNB, 1995.

___________. Sofista. http://www.ebooksbrasil.com/eLibris/sofista.html, 2003. 27.07.2004. 16h17min.

REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga. Volume I. São Paulo: Loyola, 1993.

ROCHA, Ruth. Marcelo, marmelo, martelo. Rio de Janeiro: Salamandra, 1999.

SARDI, Sérgio A. Ula. Porto Alegre: WS Editor, 2000.

TASHLIN, Frank. The bear that wasn´t. Nova Iorque: Dover Publications, 1946.

TRAJANO, Rosângela Silva. Giges e o anel. Natal: Lucgraf, 2003.

 

[1] Platão. Lísis. 211d.

[2] Giovanni Reale. História da Filosofia Antiga. Volume I. Pág. 189

[3] Platão. Sofista. 231d-e

[4] Walter Omar Kohan. Filosofia para crianças. Pág. 22

[5] Platão. A República. Livro VII. Pág...188

[6] Altair Alberto Fávero. Um olhar sobre o ensino da filosofia. Pág. 106

[7] Jostein Gaarder. O mundo de Sofia. Pág. 31

[8] Platão. A República. Livro II. Pág. 56

[9] Platão. A República. Livro II. Pág. 55

[10] Platão. A República. Livro II. Pág. 56

[11] Werner Jaeger. Paidéia. Pág. 768

[12] Platão. A República. Livro II. Pág. 58

[13] Platão. A República. Livro II. Pág. 63

[14] Werner Jaeger. Paidéia. Pág. 769

[15] Platão. A República. Pág. 65

[16] Platão. A República. Pág. 65

[17] Platão. A República. Pág. 62

[18] Platão. A República. Pág. 64

[19] Platão. A República. Pág. 67

[20] Werner Jaeger. Paidéia. 768

[21] Mattew Lipman. A filosofia vai à escola. Pág. 146

[22] Mattew Lipman. A filosofia vai à escola. Pág. 122

[23] Sérgio A. Sardi. A pergunta de Ula. Série Filosofar com crianças. Volume 1. Pág. 11

[24] Sérgio A. Sardi. Que bom que eu existo. Série Filosofar com crianças. Volume 1.

[25] Sérgio A. Sardi. A pergunta de Ula. Série Filosofar com crianças. Volume 1. Pág. 29

[26] Rosângela Trajano. Giges e o anel.

[27] O Projeto Filosofia na rua para crianças através da literatura infantil teve seu primeiro encontro no mês de janeiro de 2002. Para mais informações sobre o projeto consultar: www.geocities.com/filosofianarua.

[28] Michel de Montaigne. Ensaios. Livro Primeiro. A Força da imaginação. Pág. 59

[29] O menino que falou da revolução dos caranguejos mora próximo do mangue e parece revoltado com a devastação que o homem vem fazendo com o mangue, tais como: jogar lixo, pegar os caranguejos pequenos e como ele mesmo diz “as caranguejas ovadas”.

[30] Immanuel Kant. Sobre a pedagogia. Pág. 73

[31] Michel de Montaigne. Ensaios. Livro Primeiro. A Força da imaginação. Pág. 59

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